domingo, 16 de janeiro de 2011

Processo do Consenso

No ônibus
o aroma vivo e salgado:
vômito derramado pela senhora ao lado.

A porta do banheiro luziu como o fim da gruta, recrutando os passageiros em seu ninho fora do tempo e do espaço. Os homens, em conselho, decidiram então responder com o asco discreto, generalizado e com poucos olhares de censura. A única que não participou da reunião foi a senhora, é claro. Todos regressaram pelo portal e se assentaram em ordem, pra que o tempo voltasse a correr pra frente. Com o perdão da digressão: imagine em todo mundo a quantidade de conselhos que há a cada vez que um consenso precisa ser formado. É por isso que temos a impressão de que o futuro é infinito.

Dentro e fora do tempo
o cú do alquimista botava ouro.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Triângulo

Há sempre duas sombras
velando o leito
sobre o qual eu deito
meu amor