quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Burro

Quando o diretor do departamento passou por trás dele, enquanto trabalhava, viu-se com muita clareza – um momento enorme de consciência de si mesmo – e percebeu como olhava de forma burra para o computador. Percebeu que era burro ali, naquela situação, naquele momento. Ou pior: naquele tipo de momento. Era burro por grande parte do dia, todos os dias, e não se dava conta direito alt+tab

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ruas sem dono

Na cidade do bom gosto
molhada da garoa quente
as ruas seriam compridas
não teriam nome de gente

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Sem acúcar

Cruzávamos um arco alto para uma varanda do Louvre, onde servem café (nunca estivemos juntos na França).
- Un café, sans sucre.
- Desolé, on a solement du café sucré.
- Comment?
- Oui, du café sucré.
Eu não queria sair da dieta. Ela perdia a paciência:
- Deux.
Ele trouxe a máquina, paguei com o cartão. E então mudei de ideia:

(era o relato de um sonho. Não terminei de escrevê-lo no dia e me esqueci completamente do que acontecia depois)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Linha Amarela

Linha azul adentro
ruídos profundos e crônicos confundem
esclarecem cegam guiando contundem
batelada de murros sônicos

só na amarela é que enfim escuto
a Luz no fim do túnel

Fortaleza

No dia em que eu deixei a infância
deixei de acreditar no pai do céu
meu pai deixou de acreditar na Terra
ficou um pouco senil

Abri mão de um e foi como perder os dois

desde então
só o encontrei uma vez
em Fortaleza