Enquanto o mundo se fazia de besta
um passarinho disse ao seu dono:
- por que não sabemos falar?
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
De doze em doze
Ninguém morre tragicamente nesse conto.
Suspiros. A tarde no estudio pairava num silêncio que parecia o escuro. A luz vermelha tornava fatal o labor do jovem e do mestre naquela segunda-feira dura, de fim de semana atropelado pela falta de descanço. O pupilo deixou a câmara pra fazer mais algumas fotos. As caixas de som tocavam Green Day. Havia um arranjo de frutas bem iluminado, cercado por motivos campestres, entre caixotes, tufos de palha, grama e tábua.
Horas escorreram por mais de cem fotos.
O mestre finalmente saiu da câmara. As olheiras do jovem rotulavam seu cansaço: fosse um arqueiro, haveria esvaziado inúmeras aljavas de flechas - só não tinha idéia de quantos haveria alvejado. Por fim, o rapaz desabafou:
- Cara, que fome...
Havia uma intimidade. O mestre rebateu:
- Eu sei. É porque suas fotos ainda não são boas. Quando forem, você não vai sentir fome.
É sempre um sarro egóico. O mestre respeita o pupilo, mas a hierarquia deve ser afirmada de doze em doze minutos. Prosseguiu:
- Quando suas fotos forem boas, seu corpo não vai pedir comida. As fotos vão ser suficientes.
A quietude-breu voltou e se acomodou até o começo da noite. O mestre era um devaneio, de fato; uma fábula sentenciosa. Pro pupilo a lição moral passou longe - papo mole à parte, ele estava com muita fome. Quando ficaram velhos, um morreu de ataque cardíaco e o outro de morte morrida mesmo, velhinho.
Suspiros. A tarde no estudio pairava num silêncio que parecia o escuro. A luz vermelha tornava fatal o labor do jovem e do mestre naquela segunda-feira dura, de fim de semana atropelado pela falta de descanço. O pupilo deixou a câmara pra fazer mais algumas fotos. As caixas de som tocavam Green Day. Havia um arranjo de frutas bem iluminado, cercado por motivos campestres, entre caixotes, tufos de palha, grama e tábua.
Horas escorreram por mais de cem fotos.
O mestre finalmente saiu da câmara. As olheiras do jovem rotulavam seu cansaço: fosse um arqueiro, haveria esvaziado inúmeras aljavas de flechas - só não tinha idéia de quantos haveria alvejado. Por fim, o rapaz desabafou:
- Cara, que fome...
Havia uma intimidade. O mestre rebateu:
- Eu sei. É porque suas fotos ainda não são boas. Quando forem, você não vai sentir fome.
É sempre um sarro egóico. O mestre respeita o pupilo, mas a hierarquia deve ser afirmada de doze em doze minutos. Prosseguiu:
- Quando suas fotos forem boas, seu corpo não vai pedir comida. As fotos vão ser suficientes.
A quietude-breu voltou e se acomodou até o começo da noite. O mestre era um devaneio, de fato; uma fábula sentenciosa. Pro pupilo a lição moral passou longe - papo mole à parte, ele estava com muita fome. Quando ficaram velhos, um morreu de ataque cardíaco e o outro de morte morrida mesmo, velhinho.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Retira
Hoje foi ontem?
Um repique abusado
no precipício quatro por isso
Tenho a impressão
__quase uma certeza de que
o tempo 'tá retirando um sarro:
em três minutos por faixa,
a vida é um álbum
Um repique abusado
no precipício quatro por isso
_________ou sete por cinco
e o motivo se repeteTenho a impressão
__quase uma certeza de que
o tempo 'tá retirando um sarro:
em três minutos por faixa,
a vida é um álbum
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