domingo, 21 de fevereiro de 2010

Conversa de Freis

Naquela noite o frei Conrado não cruzou o arco da catedral para discutir questões divinas ou ideológicas. Sentia-se meio abatido, seu trabalho o desgastara nos últimos meses. O novo rebanho era muito complicado. Fez a prece e se serviu de um nobilíssimo pinot noir importado da Borgonha, velho, complexo e intenso. Sentou-se com o frei Humberto e pôs-se a conversar sobre o amor de Deus: uma conversa recheada apenas de prazerosas concordâncias. Era um desses momentos preciosos da vida. Justificavam-se relembrando as razões pelas quais haviam feito aquela escolha vitalícia de que compartilhavam.

O diabo, maltrapilho, entrou pelo arco da igreja e se abrigou debaixo do último banco. Chovia lá fora, era noite de verão.