quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dois Ouriços

Vulgar tê-la
estrangeiros inofensivos
de sorrisos jamais públicos
em esconderijos invisíveis

veja bem:
ela a se criar
ele conformado em a ter
implodida numa paixão
de dor confortavel

sobreforma
ela a se fantasiar
ele a fantasiá-la

estrangeiros do mesmo ninho
pairando entre predadores

dois ouriços
de espinhos bobos

dois passarinhos
eternamente
quase um

4 comentários:

Lírica disse...

Antíteses que quase doem ao lermos.
Opostos que se atraem e se repelem até criarem uma homeostase tácita... que tende a durar tanto que se confunde com felicidade... Mas esse quase é mesmo necessário, ou não haveria trocas, eu creio. Magistral, o seu retrato de casal.

Leon Prado... disse...

ola Vitor! pow obrigado por me add ai, como eu faço para criar um lista dessas no blogspot, e outra: como eu coloca um selo creative cammons no meu blog vc sabe ?
ps.: suas poesias tb são muito boas !

Juliana M. disse...

Oi Vitor, obrigada pelo comentário no Depósito, te vejo sempre por lá... continue aparendo, viu!

beijo

Heyk Pimenta disse...

"estrangeiros inofensivos
de sorrisos jamais públicos
em esconderijos invisíveis"

Começa muito bem!

"implodida numa paixão
de dor confortavel"

Já escrevi sobre isso, a um tempo atrás. Mas gosto do texto e vou por ele pelo maná acho ou no beijo mesmo pra você confrontar.

A coisa da falta de vírgula é muito legal, né?

porque

"dois passarinhos
eternamente
quase um"

olha a abertura que dá isso!

Legal victão.

Uma parte é o seu simples, agradével e firme, a outra parte são as figuras boas e frases longas do começo do texto que eu gosto muito.